19.3.10



Esse caso com o "escrever" é complicado. As letras e as palavras consomem meu corpo e minha mente todos os dias. Elas são tantas que eu poderia escrever dez livros de receitas de bolo, se eu soubesse fazer bolos, é claro. O que move um poeta? O amor? Um cão atravessando a rua? Uma cadeira parada em silêncio? Mover o mundo, não o mundo físico, das montanhas e oceanos e selvas e desertos. Será que vivemos mesmo neste mundo? Ainda não sei o nome do meu amigo imaginário, esqueceu de se apresentar.

A questão é que, escrever sobre a realidade é algo frustrante. Se o amor fosse algo apalpável, não escreveríamos sobre ele. Escrevemos sobre tudo o que não podemos comprar no supermercado. Enquanto escrevo essas linhas penso em como não escrevê-las dessa forma, e sim de outra. Um poeta é um modelo de revistas disfarçado. Quer sempre chamar a atenção de alguma forma. "O cão atravessou a rua", ele está lá, do outro lado, e não há segredo nisso. Mas quem compraria um livro sobre cães que atravessam ruas por aí? Agora, se essas ruas levam a um lugar, certamente terei minha casa e meu carro na garagem.

*Poetas capitalistas, era só o que me faltava!

Texto dedicado a um certa professora minha de português da 4° série, Professora Neusa. Que Deus a guarde, certamente está em boas mãos agora. Um beijo para a enternidade.

4 comentários:

Anônimo disse...

Lindo Vini, beijinhos, Buh!

Lanita disse...

Texto bom, dedicatória linda! <3

Lani

Lau Cris disse...

ficou lindo demais isso ein

Tudo sobre copos e cinzeiros. disse...

Fantástico!

A minha professora da 4ª série me inspira pacas tbm, a D. Ivana...saudades

Estás cada vez melhor!