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9.10.09

PREFEITURA TRABALHANDO?

A praça é do povo, já diria o filósofo.

O movimento de baixo para cima que colocou a região chamada "Baixo Augusta" novamente em evidência e fez com que surgissem na região novos pólos de encontro como bares e baladas, revitalizou o entorno e criou um espaço de convivência altamente multifacetado reunindo artistas, baladeiros de plantão, modernos e outros tantos mais.

Infelizmente é percebido já há alguns meses uma blitz forte para fechar os bares e casas, o estranho de tudo isso é que durante anos funcionavam na região dezenas de puteiros e dificilmente algum movimento acontecia, por que só agora com a nova vida que esta região ganhou a Prefeitura resolve agir?

Assistimos a uma verdadeira transformação promovida por iniciativas de pessoas comuns que gostavam da região e que trouxeram um novo movimento para a velha Augusta. Iniciativa feliz que pelo jeito está sendo muito bem combatida pela Prefeitura. Será que com o desenvolvimento desta região os fiscais perceberam que poderiam arrancar dinheiro fácil dos donos de estabelecimentos?

É triste descer a Augusta e ver imensos blocos de concreto fechando portas de bares em um movimento contrário de transformar a Augusta em um verdadeiro local de diversão e cultura.

Também não se pode esperar muito de uma Prefeitura que apaga grafites, reforma praças sem pensar nos moradores de rua, corta verbas de limpeza urbana em uma cidade que precisa muito de limpeza, além de ser pretensa em revitalizar bairros mas transfere problemas crônicos para regiões vizinhas.

Desculpem mas é um desabafo!

Não vamos deixar nossa Augusta morrer de novo!

18.8.08

PEQUIM 2008

Mais um longo e tenebroso dia de inverno, bastante típico em “tupiniquim land”, bem quente, seco e muito poluído. E, se nem o clima sabe em que estação se encontra que diríamos eu e Carolina, após um final de semana olímpico?

A Programação:

4: e qualquer coisa - Madrugada de domingo pós-balada no Inferno Club, que é um verdadeiro in.fer.no, assistimos do janelão do apartamento de Carol, as brasas do teatro cultura artística. Apaguei mais rápido que o incêndio, um sono turbulento, perturbado por várias incursões desesperadas de Carolina hipnotizada pelo fogo que consumia o céu. Acabei tendo um pesadelo horroroso, resolvi esquecer o sono e assistir a TV.

7:00 - Globo Rural com uma matéria emocore sobre a tradição de ser vaqueiro, aquele homem rude, magro, desdentado, cheio de orgulho de vestir a roupa de vaqueiro, todinha feita de remendos de couro, com chapeuzinho de lampião. Montando sua égua escolhida a dedo, porque tem a pata traseira esquerda branca. Uma corrida atrás do novilho solto no cerrado, para eleger o melhor vaqueiro. O bosque cerrado com alguma vegetação seca que cortava como lâmina e os cantos de apoio para homenagear o melhor. Me senti arrogante, mas melhorei assim que olhei para Carolina de calcinha, batinha preta, faixa vinho nos cabelos e óculos escuros, panicada com o teatro-fogueira. Pensei na hora: porra de lei seca que eu já poderia estar em casa.

8:00 – Olimpíadas: a concentração e o olhar cheio de determinação de uma ginasta, com os comentários cheios de propriedade da narradora, especialista, very important fucking people a despeito das meninas-contorcionistas-voadoras-de-cara-amarrada, exceção à brasileirinha com carinha de chorona.
Prepara, corre e... ssssssssssalta fazendo tripla cambalhota no ar, seguida de giro duplo lateral escarpado, com meia volta pra frente e duas para trás, caindo pregado no chão sobre um pé só.
E a fantástica comentarista, que se já fez ginástica olímpica na vida, ninguém nunca ouviu falar:

_ Os três primeiros lugares já estão praticamente garantidos, como vocês podem notar (queria saber quem são vocês, rsrsrs) é um salto razoavelmente fácil (jisuiiiis), portanto com uma pontuação baixa e a Churnikova (nome da atleta) ainda deve ter dois décimos descontados porque estava com os dedos dos pés muito abertos.

A Churnikova lá, com o rosto de pedra, ansiosa, esperando a sua pontuação.
Alguns minutos depois... não dez, nem nove e meio ou nove vírgula noventa e nove, mas, quarenta e cinco mil, quinhentos e dezesseis pontos, não sei para que tanto ponto, e a segunda colocação da ginasta “surda”, que não ouviu os comentários de que ela era apenas mais uma.

10:00 - A Carolina dormiu de faixa e de óculos.
Do fogo só restou a fumaça.
E eu pus o pé na estrada me achando uma Churnikova na vida.